Cannabis medicinal veterinária e dor crônica em pets

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Cannabis medicinal e dor crônica em pets

A cannabis medicinal veterinária e dor crônica em pets têm sido cada vez mais discutidas na prática clínica, especialmente em animais idosos ou com doenças musculoesqueléticas. A dor persistente compromete o bem-estar, a mobilidade e a qualidade de vida de cães e gatos, exigindo abordagens terapêuticas individualizadas e seguras.

Nos últimos anos, o interesse por terapias adjuvantes cresceu, incluindo o uso da cannabis medicinal. No entanto, apesar do potencial observado, é fundamental compreender o que a ciência demonstra, quais são os limites dessa abordagem e por que o acompanhamento médico-veterinário é indispensável.

Este artigo aborda o papel da cannabis medicinal veterinária no manejo da dor crônica em pets, com foco em segurança, evidência científica e responsabilidade clínica.

Dor crônica em pets do ponto de vista veterinário

A dor crônica é definida como aquela que persiste por semanas ou meses, mesmo após o tratamento da causa inicial. Em pets, ela é frequentemente subdiagnosticada, pois muitos animais manifestam dor de forma silenciosa ou com alterações comportamentais sutis.

Entre as causas mais comuns estão osteoartrite, displasia coxofemoral, doenças degenerativas da coluna, processos inflamatórios crônicos e condições oncológicas.

Os sinais clínicos podem incluir redução da mobilidade, dificuldade para levantar ou subir escadas, relutância em brincar, alterações de humor, agressividade defensiva e mudanças no apetite ou no sono.

Osteoartrite em cães e gatos e impacto na qualidade de vida

A osteoartrite é uma das principais causas de dor crônica em pets, especialmente em cães de médio e grande porte e em animais idosos. Trata-se de uma condição degenerativa caracterizada por inflamação articular, desgaste da cartilagem e limitação funcional progressiva.

Em gatos, a osteoartrite também é frequente, embora muitas vezes passe despercebida, manifestando-se por redução de saltos, menor interação e alterações no uso da caixa de areia.

O manejo adequado da osteoartrite exige uma abordagem multimodal, combinando controle da dor, redução da inflamação, suporte articular, fisioterapia e ajustes ambientais.

CBD e dor crônica: o que dizem os estudos

O canabidiol (CBD) é o fitocanabinoide mais estudado no contexto da dor crônica em pets. Seu interesse clínico está associado ao potencial modulador da inflamação, da percepção da dor e do desconforto articular.

Estudos observacionais e ensaios iniciais em cães com osteoartrite sugerem melhora da mobilidade, redução de sinais de dor e aumento da qualidade de vida em alguns animais.

Além disso, o CBD pode atuar como terapia adjuvante, permitindo, em determinados casos, a redução gradual de outros fármacos, sempre sob supervisão veterinária.

Apesar desses achados, a literatura ainda apresenta limitações, como variação de doses, curto período de acompanhamento e diferenças metodológicas entre estudos.

Limites da evidência científica atual

Embora os resultados sejam promissores, a ciência ainda classifica o uso da cannabis medicinal veterinária para dor crônica como um campo em desenvolvimento.

As principais limitações incluem número restrito de ensaios clínicos controlados, diversidade de formulações disponíveis e respostas individuais variadas entre espécies e pacientes.

Por esse motivo, a cannabis não deve ser encarada como substituta automática de tratamentos consagrados, mas como possível parte de uma estratégia terapêutica integrada.

THC e dor em animais: cuidados necessários

O THC pode apresentar efeitos analgésicos, porém seu uso em medicina veterinária exige cautela extrema. Em cães, doses inadequadas podem provocar efeitos neurológicos significativos, como ataxia, sedação excessiva e alterações comportamentais.

Dessa forma, formulações veterinárias devem priorizar perfis seguros, com prescrição e acompanhamento rigorosos, respeitando a espécie, o peso e a condição clínica do animal.

Acompanhamento veterinário no manejo da dor crônica

O acompanhamento médico-veterinário é essencial no uso da cannabis medicinal para dor crônica em pets. Ele garante avaliação adequada, definição de objetivos terapêuticos e monitoramento contínuo da resposta clínica.

O profissional é responsável por integrar a cannabis a um plano terapêutico mais amplo, que pode incluir analgesia convencional, controle da inflamação, fisioterapia, manejo do peso e adaptações ambientais.

Além disso, o acompanhamento previne automedicação e reduz riscos associados a interações medicamentosas.

Quando a cannabis pode ser considerada

De acordo com a prática clínica e a literatura científica disponível, o uso pode ser considerado, sob supervisão, em casos como dor crônica refratária, osteoartrite avançada, intolerância a outros analgésicos ou como parte de cuidados paliativos.

Cada paciente deve ser avaliado individualmente, respeitando suas necessidades, limitações e qualidade de vida.

O papel das associações na educação sobre dor crônica

Associações de cannabis medicinal veterinária desempenham papel importante ao fornecer informação baseada em ciência, orientar tutores e reforçar a importância do acompanhamento profissional.

Esse trabalho contribui para decisões mais conscientes, seguras e alinhadas ao bem-estar animal.

Conclusão

A cannabis medicinal veterinária e dor crônica em pets representam uma abordagem complementar promissora, especialmente em condições como osteoartrite. O CBD demonstra potencial para auxiliar no manejo da dor e melhorar a qualidade de vida em contextos específicos.

Em síntese, o uso responsável, individualizado e acompanhado por médico-veterinário é fundamental para garantir segurança, eficácia e cuidado adequado aos animais.

Dra. Mariah Melrinho – CRMV – 57706/SP